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A ocasião faz o ladrão, lembram alguns. Como o cantor e compositor George Durand insiste em ser um ladrão competente, não perde oportunidades. Desde que chegou de Fortaleza, em 1991, tem se apresentado em todos os espaços que Brasília oferece. Do Projeto Temporadas Populares aos bares que mantêm música ao vivo, da Sala Martins Penna do Teatro Nacional aos concertos do Curso Internacional de Verão da Escola de Música, lá está ele.

O investimento é feito com seriedade. O repertório mescla composições próprias com pérolas da MPB. Das primeiras, o público pode ter idéia da criatividade do compositor. Das segundas, a platéia pode perceber a sensibilidade do intérprete. Dos shows, de maneira geral, dá pra concluir: criatividade e sensibilidade fazem um bom artista.

Vozes em microfones de bares existem aos montes, dirão os mais céticos. Compositores novos querendo emplacar sucessos nas rádios e nas gargantas dos fãs é o que não faltam, completarão os mais críticos. E daí? Atores sabem subir num palco, bailarinos passam a vida equilibrando-se na ponta dos pés. George Durand não pensa em reinventar a roda. Prefere compor com delicadeza e sentido de observação. Esmera-se em trabalhar a voz, ou acompanhando-se ou convocando uma banda para a tarefa.

Num meio em que pressões não-artísticas e jogadas de marketing determinam o que vai ser sucesso na próxima temporada, é reconfortante saber que ainda há espaço para o talento. Sem pressa, mas com energia, nosso amigo cearense persegue o sucesso sim. Não espera contratos milionários ou carreira meteórica. Ao contrário: está se preparando para "dar o bote" e pegar a todos, público e crítica, pela riqueza das melodias e letras e pela suavidade da interpretação. Está perdendo que ainda não conhece o trabalho.

Cláudio Ferreira
Jornalista